Gosto tanto
que é fácil confundir-me
sobre o que sinto,
reconheço que ao gostar de mim
tudo não passa de egoismo
que não gosto de ninguém afinal.
Há um momento em que o outro
de fato é considerado
noutro momento negado,
um dia que existe
outro dia pensado,
vamos existindo pequenamente,
gostar de alguém que a gente
acha que tem, é ter alguém
em quem tem se que pensar
Alguém que não é de ninguém.
(Para a amiga Cristina Fernandes)
sexta-feira, 23 de julho de 2010
terça-feira, 20 de julho de 2010
DIA A DIA
Levanto o jornal que noticia o dia,
meu filho, ainda sonolento,
boceja a pinga de ontem.
Levanto o lençol rosa, e minha filha
numa bermuda rasgada
sorri, parada. acordada.
Levanto o cobertor azul, e minha mulher
me olha; o cheiro do café quente,
eu entrego e sorrio.
Só o dia negro ainda dorme e ronca
O Estado há muito não sabe o que é gente.
meu filho, ainda sonolento,
boceja a pinga de ontem.
Levanto o lençol rosa, e minha filha
numa bermuda rasgada
sorri, parada. acordada.
Levanto o cobertor azul, e minha mulher
me olha; o cheiro do café quente,
eu entrego e sorrio.
Só o dia negro ainda dorme e ronca
O Estado há muito não sabe o que é gente.
AO AMOR
Não se deitará em meu peito
vermelho, coração violento,
você é um predador - não sou caça
você é um laçador - eu sou fuga
não me fará sofrer o sentimento
deprimido, em correria
enfia a cabeça na terra,
chora com o estômago - avestruz.
vermelho, coração violento,
você é um predador - não sou caça
você é um laçador - eu sou fuga
não me fará sofrer o sentimento
deprimido, em correria
enfia a cabeça na terra,
chora com o estômago - avestruz.
COMO JABUTICABA
Como jabuticaba do céu,
na terra, na vida,
um poema sem métrica caiu,
sem poeta, sem lugar,
maluca é - a poesia.
na terra, na vida,
um poema sem métrica caiu,
sem poeta, sem lugar,
maluca é - a poesia.
TOMARA UMA VEZ
Tomara uma vez
eu ser pra voce
uma pérola
Ai de outra mulher usar
num pescoço de futilidades
eu pérola
Ela se enrugará de desgosto
diante dos espelhos dos banheiros
Tomara uma vez eu ser pra você
uma pérola
os espelhos rirão de nós dois
como você ri de mim agora.
eu ser pra voce
uma pérola
Ai de outra mulher usar
num pescoço de futilidades
eu pérola
Ela se enrugará de desgosto
diante dos espelhos dos banheiros
Tomara uma vez eu ser pra você
uma pérola
os espelhos rirão de nós dois
como você ri de mim agora.
GAROA
A garoa com a cumplicidade do frio
Ah, frio calafrio
Eu não a vejo, ela não me vê
gente de frente
Garoa fina que molha
frio, navalha que corta
Lá vou eu sem crença, sem fé
Pronto a tudo
Preso a nada...
Ah, frio calafrio
Eu não a vejo, ela não me vê
gente de frente
Garoa fina que molha
frio, navalha que corta
Lá vou eu sem crença, sem fé
Pronto a tudo
Preso a nada...
domingo, 30 de maio de 2010
OLHAR POR OLHAR
Pelo seu olhar tem meu corpo,
tem meus sonhos,
minha pele parda,
meu olhar de namorado,
meu amor lento.
Pelo meu olhar tem outra vida
com pensamentos sérios,
sobre teatro, me esperando
na sala de trabalho,
tem minha paixão de homem,
tem minha inspiração de poeta.
Do outro lado pessoas vivas,
atarefadas me esperando,
sem flores nas mãos,
mas com seios decotados
que me pensam em pecado.
Se continuarmos olhando
pro fim do mar
sem ver os peixes, sem ver vida
ficamos e vamos,
como as ondas sem amor,
que morrem todo o tempo
na praia.
(Para minha amiga Cris)
*Direitos Reservados*
tem meus sonhos,
minha pele parda,
meu olhar de namorado,
meu amor lento.
Pelo meu olhar tem outra vida
com pensamentos sérios,
sobre teatro, me esperando
na sala de trabalho,
tem minha paixão de homem,
tem minha inspiração de poeta.
Do outro lado pessoas vivas,
atarefadas me esperando,
sem flores nas mãos,
mas com seios decotados
que me pensam em pecado.
Se continuarmos olhando
pro fim do mar
sem ver os peixes, sem ver vida
ficamos e vamos,
como as ondas sem amor,
que morrem todo o tempo
na praia.
(Para minha amiga Cris)
*Direitos Reservados*
QUEIMANDO
O frio me corta
cortado por carros
gente sem gente
de idéias elétricas
confortáveis, condicionadas,
rodando com o pensamento
caminhando apoiadas em rodas.
Atravessado pelos faróis
eu vou, trêmulo no tempo,
sem trono do rei,
doente burguês hostil.
Ao meu redor bailam cinzas,
respiro judeus, revolucionários,
outros tantos, com mêdo,
o mundo que suspeito padece
nos porões que não conheço,
incandeço como brasa,
pra ser em breve cinza
para pulmões efizêmicos.
cortado por carros
gente sem gente
de idéias elétricas
confortáveis, condicionadas,
rodando com o pensamento
caminhando apoiadas em rodas.
Atravessado pelos faróis
eu vou, trêmulo no tempo,
sem trono do rei,
doente burguês hostil.
Ao meu redor bailam cinzas,
respiro judeus, revolucionários,
outros tantos, com mêdo,
o mundo que suspeito padece
nos porões que não conheço,
incandeço como brasa,
pra ser em breve cinza
para pulmões efizêmicos.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
SOBREASSALTOS
Caminhar pelas ruas
escuras ou iluminadas,
é somente.
A aventura está,
no assalto a cada parada.
*Direitos Reservados*
escuras ou iluminadas,
é somente.
A aventura está,
no assalto a cada parada.
*Direitos Reservados*
SEGREDOS
Meu barco a vela
não ilumina o mar
Mar que não conheço a fundo
Onde o vento quer morar de vez.
teatro que encena mundos.
Lá em terra estão abatendo pêssegos!
Assim como fazem aqui com as baleias.
*Direitos Reservados*
não ilumina o mar
Mar que não conheço a fundo
Onde o vento quer morar de vez.
teatro que encena mundos.
Lá em terra estão abatendo pêssegos!
Assim como fazem aqui com as baleias.
*Direitos Reservados*
VERDADES
Priscila mentiu
que não gostava de mim
Existem olhares
feromônios
cheiros de mar
O amarrotado pedido dos lençóis
dos gemidos
Priscila -
Sinceramente, o poeta
deitou.
*Direitos Reservados*
que não gostava de mim
Existem olhares
feromônios
cheiros de mar
O amarrotado pedido dos lençóis
dos gemidos
Priscila -
Sinceramente, o poeta
deitou.
*Direitos Reservados*
ARRASTÃO
Eram muitos
tinha surf, tinha sol
Eram muitos
e nos atravessaram
Eram muitos
gafanhotos na praia
Eram muitos
lavaram tudo
Eram muitos
nenhum tinha nome
Nossos braços de rios
desaguando no mar
*Direitos reservados*
tinha surf, tinha sol
Eram muitos
e nos atravessaram
Eram muitos
gafanhotos na praia
Eram muitos
lavaram tudo
Eram muitos
nenhum tinha nome
Nossos braços de rios
desaguando no mar
*Direitos reservados*
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
MOVIMENTO
Pensa-se na vida
como um eterno movimento.
Pensa-se no movimento,
como um círculo que se repete
negando a negação.
A vida é movimento, é certo,
mas não algo redondo,
talvez sinoidal, não...não...
certeza ser espiral.
como um eterno movimento.
Pensa-se no movimento,
como um círculo que se repete
negando a negação.
A vida é movimento, é certo,
mas não algo redondo,
talvez sinoidal, não...não...
certeza ser espiral.
SOLITÁRIO
Teu corpo é um deserto
disfarçado de areia.
Em cada grão, encontro
estrelas
poesias
Vale a pena camelar
Pensar e observar,
imaginar sua companhia.
disfarçado de areia.
Em cada grão, encontro
estrelas
poesias
Vale a pena camelar
Pensar e observar,
imaginar sua companhia.
NECESSÁRIO
É necessário
que as marcas no meu lençol,
sejam para sempre?
E teu perfume seja parceiro,
no meu deserto?
É necessário
pentear os cabelos,
grisalhos
com nossa experiência,
sem a preocupação
que os adolescentes
nos reproduzam.
que as marcas no meu lençol,
sejam para sempre?
E teu perfume seja parceiro,
no meu deserto?
É necessário
pentear os cabelos,
grisalhos
com nossa experiência,
sem a preocupação
que os adolescentes
nos reproduzam.
CÃES A SOLTA
Há um cheiro de tensão no ar
o sol revoltado, não deita no mar,
quem pensa com versos, cuidado!
As botas resolveram marchar, juntas.
As ruas estremecem. Porque?
Os cães se livraram das coleiras.
o sol revoltado, não deita no mar,
quem pensa com versos, cuidado!
As botas resolveram marchar, juntas.
As ruas estremecem. Porque?
Os cães se livraram das coleiras.
MENINO?
Sob o embalo materno
com talco em meu cheiro,
lembro-me do orgulho nos olhos
daqueles que me diziam menino,
mas na minha memória,
não lembro de saber
o que era isso.
com talco em meu cheiro,
lembro-me do orgulho nos olhos
daqueles que me diziam menino,
mas na minha memória,
não lembro de saber
o que era isso.
MORTO VIVO
O que sou
me fizeram
Oque penso
pensamos
O que faço
já foi feito
Quero sair
me trazem de volta
Tento morrer
me ressuscitam
Sempre morto vivo.
me fizeram
Oque penso
pensamos
O que faço
já foi feito
Quero sair
me trazem de volta
Tento morrer
me ressuscitam
Sempre morto vivo.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
ENCHENTES
Enchente nas bocas
molham o meio das pernas
Estraga o samba. estraga a festa,
As borboletas se divertem
entre pássaros performáticos
Suores íntimos
arranham a pele
Estamos vivos! Estamos vivos!
Gritam os espermas.
molham o meio das pernas
Estraga o samba. estraga a festa,
As borboletas se divertem
entre pássaros performáticos
Suores íntimos
arranham a pele
Estamos vivos! Estamos vivos!
Gritam os espermas.
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